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Maternando na Pandemia Ep.3 - Por Brenda Giacometti

Olá, meu nome é Brenda e sou uma das fundadoras da Varandinha Baby Store.

Para mim, ser mãe durante a pandemia muitas vezes passou distante do termo "planejado". Quando descobri que estava grávida, em Novembro de 2019, não tínhamos nem ouvirmos falar de COVID-19. Então construí na minha cabeça um planejamento normal para as mudanças que estavam prestes a acontecer. Notar o crescimento da barriga, receber o carinho da família na descoberta do sexo e compartilhar a preparação do enxoval estava sendo uma delícia, até que Março chegou...

A desinformação trouxe muitos receios e conseguimos ficar um primeiro mês em casa, em isolamento total... mas a insegurança começou a crescer, foi batendo um desespero por ver as semanas passarem com todos os preparativos suspensos e a consequência do confinamento foi uma ansiedade que nunca tinha sentido. Tive que parar com a atividade física, ver minha casa se transformar em escritório e passar a dividir a rotina das reuniões e do alto volume de trabalho com meu marido.

Nunca fui adepta a compras online, mas o carrinho virtual passou a ser meu melhor amigo e conforme as coisas chegavam dentro da minha expectativa, sentia mais segurança para continuar comprando. Fazer os exames de acompanhamento passaram a ser uma operação de guerra e os cuidados para evitar contaminação exigiam ainda mais atenção.

A Emily nasceu no auge da pandemia, era 23 de Junho e os indices de internação estavam em alta. Para a nossa tristeza, tivemos que encarar este começo somente nós dois. As visitas na maternidade estavam suspensas e a grande virada de nossas vidas, foi "apresentada" para nossa família por meio de fotos e vídeo chamadas. Ela nasceu já sorrindo para as câmeras.

Tanto a empresa onde eu trabalho quanto a empresa em que meu marido trabalha, possuem um ótimo serviço de acompanhamento pré-natal. Na hora não parecia tão incrível, mas quando saímos do "modo  treinamento" e entramos na vida real, sentimos o quanto esse apoio nos foi fundamental.

Chegar em casa foi um alívio e um desafio.. era bom estar perto da família, mas a luta aqui fora continuava. Na primeira consulta a pediatra da Emily nos falou "vocês precisam entender que agora vocês não são mais filhos, irmãos, sobrinhos ou primos de alguém. Agora em primeiro lugar vocês são os pais da Emily e precisam pensar sempre no que é melhor para ela".... daí nossa primeira grande decisão, a de manter o isolamento e restringir o ciclo de convivência. =(


Não tem sido fácil, diversas vezes nos deparamos com escolhas recorrentes que exigem muito de nós, principalmente emocionalmente. Mas olhar seu sorriso a cada manhã e poder segurá-la no colo com o coração tranquilo por sabermos que estamos tentando o nosso melhor, nos da força para continuar firmes em nossa decisão.

Graças a Deus os bons ventos da vacina já começaram a soprar e para quem já está aguentando firme há um ano, ainda há forças para continuar firmes por mais alguns meses. 

É muito triste ligar a televisão e saber de tantas vidas perdidas e é ainda mais triste quando sabemos de algum caso mais próximo... mas cabe a nós sermos responsáveis pelas nossas atitudes e procurar fazer nosso melhor sempre. 

Em contraponto, poder ficar um tempo a mais trabalhando de casa e acompanhando o desenvolvimento da Emy é um presente que não tem preço. Enche meu coração de amor.

A situação não está fácil para ninguém, cada um tem seus sacrifícios e questões particulares com as quais lidar e meu conselho é que diariamente você busque ver o que de melhor consegue extrair do seu dia ao invés de ficar lamentado pelo que precisa deixar de fazer. Seja criativo, resgate ideias que antes não tinha tempo para executar... ocupar a cabeça com coisas que podemos fazer sozinhas e dentro de casa é uma ótima forma de passar os dias.


Abraços,

Brenda Giacometti

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